Reflexão da Quinta-Feira Santa - Ceia do Senhor - 29/03/18 - Ouro Verde
A Semana Santa
traz para nós a forte espiritualidade da entrega, do martírio, do sacrifício,
do serviço, da obediência. Somos levados a uma profunda reflexão sobre os
passos do Senhor, passos marcados por sangue e dor, onde o humano se revela
miséria, sofrimento, derrota. Mas neste chão regado pelo sangue da entrega
amorosa, a morte é
obrigada a se render, pois Cristo ferido pela morte resgata
a vida e vence ao mal. Ninguém tira Sua vida, Ele a entrega por livre e
espontânea vontade. É Jesus que sem ser consolado consola o mundo e morto vive
eternamente.
obrigada a se render, pois Cristo ferido pela morte resgata
a vida e vence ao mal. Ninguém tira Sua vida, Ele a entrega por livre e
espontânea vontade. É Jesus que sem ser consolado consola o mundo e morto vive
eternamente.
No primeiro dia
do Tríduo Pascal, celebramos a Ceia do Senhor, a Última Ceia que, na verdade,
dá partida a todas as Ceias que celebramos. É o Senhor que desce de Deus e se
coloca abaixo do Homem, lavando-lhes os pés em sinal de humildade, serviço e
fraternidade. O Cristo se dá em comida e bebida e toda singeleza do momento é
encerrada no pequeno e frágil pão, que traz em si toda a plenitude da Salvação.
O Senhor
antecipa Sua ressurreição aos Apóstolos, dá a eles Sua vida nova, a vida
frutificada na cruz. O Senhor transfigura-se na belíssima fonte de Amor, na
Eucaristia. Ele ama incondicionalmente a cada um a Ele confiado, zelando até
mesmo por Judas, quem a Ele iria trair. A dor da traição e do abandono não
diminui a Eucaristia, mas torna ela repleta de misericórdia.
João inclina
seu rosto sobre o peito de Jesus, para assim ouvir o Coração de Cristo,
enquanto Judas afasta e deixa de ser guiado pela voz do Criador.
Que Deus é esse
que se faz servo e humilhado se torna alimento para suas criaturas? Quem é esse
Deus que, despindo da Sua condição divina, veste a carne humana e abraça a dor
da humanidade? Quem somos nós para merecermos tamanha graça de comungarmos o
Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Cristo, nos fazendo filhos do
Altíssimo?
Quanto amor
jorra do Calvário, quanta dor ao saber que vai morrer... quanto pranto reunidos
em um só peito e quanta misericórdia jorra do peito perfurado.
Do gesto do serviço
nasce o sacerdócio, Jesus institui seus ministros, não os melhores, mas os piores
entre os homens, os mais necessitados da graça, aos quais Deus chama para serem
dispensadores da Divina Misericórdia. Ao lavar os pés, Jesus lava a humanidade,
servindo-se como cordeiro, sacerdote e altar. Seu Corpo e Seu Sangue, fonte
inesgotável da profunda misericórdia divina, do sofrer humano, do encontro de
Deus com Seus filhos. Ele vem ao nosso encontro e nos olhando face a face nos
redime em graça, dom gratuito de Sua bondade. O Senhor nos ama, chama a amá-lo
e a recebe-lo na infinita misericórdia de Seu Corpo e Seu Sangue.
Hoje é a
instituição do Sacramento do Amor, do Sacramento da Misericórdia, do Sacramento
do Divino feito homem e homem feito sofrimento e sofrimento feito amor. Onde se
encerra toda a inescrutável fonte de Amor do Deus Pai, Deus Filho e Deus
Espírito Santo. Jesus institui o sacerdócio junto da Eucaristia, selando o padre
para a Eucaristia e a Eucaristia para o padre, são um só, um não vive sem o
outro. Oremos pelos nossos sacerdotes, pelos ministros da Eucaristia, por todos
aqueles que revestidos pela dignidade divina servem a este Sacramento. Deixemo-nos
tocar por esse Amor incondicional, gratuito e superabundante.
O sinal do Amor
eterno é o próprio Cristo Jesus, feito carne, feito Eucaristia, feito Amor!
Amor para nós, Amém!
Seminarista
Matheus A. Ramos
Diocese
de Teófilo Otoni


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